segunda-feira, 20 de julho de 2009

Você tem tempo para se ler?

Nesses dias frios, em que geralmente fico só em casa, é forçoso pensar além deste cômodo. Acabo remontando alguns momentos de relevância em minha vida, perdendo algum tempo nesses flashbacks. Como quando assistimos pela segunda vez a filmes como “O Sexto Sentido” ou “Vanilla Sky”, e, já sabendo do final, apenas nos preocupamos em verificar se as cenas foram coerentes; se o desenrolar não teve falhas no texto e/ou na interpretação; se o final valeu pelo tempo dedicado ao filme; e, principalmente, se entendemos a personalidade da personagem principal.
Ainda consigo lembrar de frases inteiras, e até mesmo o tom que apliquei, e me colocando como ouvinte, de forma póstuma, vejo e admiro a paciência das pessoas que viveram momentos juntos de mim. Também vejo com certa reprovação o quanto me desfiz de mim por outras que simplesmente colidiram e se desfizeram.
Em princípio, não vi muita função para esses retornos. Não fosse a repetição que comecei a identificar, continuaria como mero espectador saudosista. Comecei a me ver cometendo os mesmos erros pelo simples fato de não ter me criticado; por não me dar o trabalho de pensar um pouco antes de agir; por não aceitar críticas que agora julgo honestas; de não ter apurado o instinto. Mas agora vejo a importância disso tudo; desses minutos concentrado olhando para o teto enquanto ouvia algum rock alternativo (a propósito, o CD Blackfield, da banda homônima, tem se saído muito bem nessa ambientação). Penso que essa prática, ainda que pareça tender à nostalgia, na verdade é o gatilho que retempera o espírito. É a prova de que sempre é tempo de rever conceitos e mudar atitudes. Não pretendo ser detalhista em meus momentos, quando muito queria deixar claro que o tempo passado só é tempo perdido para os que não o têm como conselheiro. É muito mais fácil enxergar uma cena de um ângulo distanciado, mudando o foco do “eu” para “ele”. Não se prive de melhorar, nem se isente de erros. Como diria meu amigo Rafael: “repetir para não repetir”, e minha amiga Walnete: "se você fizer na vida o que sempre fez vai continuar recebendo o que sempre recebeu"

Rômulo Lacana

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